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Lenda - Aparição da Senhora da Peneda

Para contar resumidamente a história da aparição da Nossa Senhora da Peneda (ou Senhora das Neves) à pastorinha, temos de recuar ao longínquo dia 5 de Agosto de 1220.

Reza a lenda que enquanto uma criança pastoreava as suas cabras, a Senhora apareceu-lhe em forma de uma pomba branca voando ao redor dela e, pediu-lhe que dissesse aos do seu lugar da Gavieira para lhe edificarem naquele lugar uma ermida. A pastorinha foi ter com os seus pais e falou da aparição da Senhora, mas sem efeito, porque não lhe deram crédito, não acreditando nas palavras dela.
Noutro dia, voltando a pastorinha com as suas cabras por aquelas mesmas paragens, tornou-lhe a aparecer a mesma Senhora na mesma lapa, não como na primeira vez, em forma de pomba (como ela referia) mas na forma em que hoje se vê, e lhe disse:
"Filha, já que te não querem dar crédito ao que eu mando, vai ao lugar de Roussas (que fica na mesma freguesia de Gavieira) onde está uma mulher entrevada há dezoito anos e diz aos moradores do lugar que tragam à minha presença, para que ela fique de perfeita saúde, e assim te darão crédito ao que eu te ordeno."
Assim o fez a venturosa pastorinha, e trouxe a mulher que se chamava Domingas Gregório. Tanto que esta chegou à vista daquela Sagrada Imagem da Rainha dos Anjos, logo alcançou uma perfeita saúde e ficou livre e sã de todos os males que padecia, louvando a Virgem Senhora pelo singular benefício que lhe havia feito.
Nos dias de hoje, são muitos os devotos que louvam a Nossa Senhora da Peneda, tornando-se um local de peregrinação e culto para milhares de fieis.

Festa da Peneda

A Festa da Peneda é uma das romarias mais antigas e importantes do Norte de Portugal, em honra à Nossa Senhora da Peneda. Realiza-se anualmente entre os dias 1 e 8 de Setembro. Durante esses 8 dias, junta milhares de pessoas do Minho e da Galiza.

Os dias mais importantes da Romaria da Peneda são o dia 5 e 6. O dia 5 é geralmente dedicado aos Espanhóis, são milhares os que atravessam a fronteira nesse dia para visitarem o Santuário. No dia 6, é o dia da festa, o mais importante de todos. Os peregrinos ficam geralmente instalados nos cartéis disponibilizados pela confraria.

O Terreiro (local que fica em frente ao Santuário), é o ponto de encontro dos Romeiros da Peneda. Aí, a concertina e o acordeão, fazem parte da animação da festa e entoam pelas pedras da montanha. Os cantares ao desafio e os ranchos folclóricos também são uma tradição nestes dias.
Mas o melhor mesmo é tirar uns dias nessa altura e vir visitar e desfrutar desta festa tão popular e tornar-se também num romeiro da Peneda...

O 1º Romeiro da Peneda

"O TACHIM"

Mas que nome me havia de ocorrer. "Tachim". Será que se escreve mesmo assim? Acho que o que menos importa é saber se se escreve tachim, taxim, tá xim, etc. Parece-me chinês. Jogador de futebol não me parece. Um famoso artista de circo? Se calhar algum chefe de Estado dos ditos terceiros mundos ou provavelmente nome de telenovela. Algo me diz que se trata apenas de uma pessoa muito simples. Basta para tal chamar-lhe João Tachim ou simplesmente João da Cadela.
Um dos primeiros, senão o primeiro romeiro da Sra. da Peneda. Muitos dos leitores, conheceram certamente a pessoa em questão. Era sem dúvida aqui há já uns largos anos atrás, uma das figuras mais típicas da Romaria da Sra. da Peneda.
Por meados de Agosto, fincado à vara e a chamar a cadela, a panela e a cafeteira presos com um cordel à cinta a badalarem, era vê-lo subir o escadório do fundo do Portório a passar na Sra. das Dores até ao terreiro...estamos na romaria, chegou o Tachim...grita a cambada. Vamos acirrar a cadela. Ali começava o martírio do Tachim e a alegria dos putos. De um lado voavam as bolotas do cipreste, do outro a ameaça do pau. Era tudo brincadeira. Aparte estes pequenos "desacatos" com a criançada, era recebido pelas pessoas da aldeia com muito carinho.
Durante os dias que se seguiam até aos dias da festa, da pentilhota até à tapada grande, caminhava de porta em porta recebendo aqui uma bucha, ali uma tigela de caldo, além um copo de tinto, que irmãmente partilhava com a cadela. À noite, meadinha arriba, até à lapa (assim designado os aposentos de tão ilustre personagem) ali acendia o lume, um pouco de carne gorda dentro da panela, paus de giesteiro a servir de trempes, refastelava-se engrenhado nos trapos que eram os mesmos da romaria do ano passado, talvez de há dois anos...sabe-se lá, a olhar fitado os tissons. De quando em vez espetava o garavato na carne, agora trincava ele, ora lambia a cadela, come se fosse uma família. Não havia motivos entre eles para grandes desavenças. A única coisa em disputa seria a comida e mesmo esta era sabiamente dividida.
Assim se descreve a história do Romeiro mais popular que alguma vez passou pelas bandas da Nossa Sra. da Peneda. Não podia deixar de passar o meu testemunho de figura tão ilustre e que tantas saudades deixou naquela terra.

Artigo de Manuel Barros, publicado no jornal "O Ardina" de Monção em 1998.